ANA PAULA, 17, BRAZIL
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Guardo distraído tua lembrança na gaveta. A gaveta antes desocupada e com muito espaço. O tempo – sempre ele – bagunça o inquebrantável, espicha distâncias e, por assim dizer, ocupa gavetas. Entre canhotos rabiscados e colares quebrados, tua lembrança. Tua, velha, que me escapa, de primeira, ao olhar, mas depois volto à ela, como se voltasse ao teu rosto, igual, antigo, poeirento, mas igual, sem uma sarda a mais e o brilho o mesmo. Te vejo, assim, entre dedos, e toco tuas bochechas, te tiro o pó. Te ponho de lado, e vejo o céu. O mesmo céu que cobriu e cobre tantos enamorados. O amor não morreu, eu te diria. O amor pode matar. Mas ele não morre. Não, não morre. Te vejo outra vez e te guardo, com todo cuidado, onde eu sempre possa te rever.
rafael iotti (via
adiossophia
)
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